Energia que vem do céu - Smart City Laguna
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1/03/2018 Energia que vem do céu

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Tem sido uma daquelas histórias “apesar da crise” que vira e mexe dão as caras no noticiário. Nos últimos anos, as fontes de energia solar fotovoltaica (produzida a partir do sol) e eólica (a partir do vento) nadaram contra a correnteza e registraram avanços de encher os olhos.

Apenas em 2017, a capacidade instalada em energia eólica cresceu 28,1%, atingindo a marca de 12,8 gigawatts (GW) distribuídos entre pouco mais de 500 parques de geração. É o equivalente a 8,1% de toda capacidade do Brasil. Os dados são da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão do governo responsável por estudos sobre o setor energético.

No caso da energia solar, o salto foi ainda mais impressionante: 4.470% em apenas um ano. No começo de 2017, eram somente 21 megawatts, que, na virada do ano, estavam perto do primeiro gigawatt. Esse número, porém, deve ser visto com moderação: a energia solar continua na lanterna do sistema nacional de geração, com apenas 0,6% da potência instalada no Brasil.

Dos grandes parques…

Mais de metade do salto da energia solar veio de apenas dois empreendimentos, inaugurados em setembro:
– a usina de Nova Olinda, localizada no município de Ribeira do Piauí (PI);
– e a usina de Ituverava, que fica em Tabocas do Brejo Velho (BA).

Juntas, elas têm potência de 546 MW, o suficiente para abastecer quase 570 mil casas. Construídas e operadas pelo grupo italiano Enel, que investiu US$ 700 milhões nos projetos, são os dois maiores complexos de seu tipo na América do Sul.

…aos pequenos lares

Além dos projetos de grande porte, a energia solar também vem se popularizando nas casas, como uma opção para diminuir a conta de luz.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), na virada de 2016, o Brasil contava com 7.000 unidades instaladas. Um ano mais tarde, eram mais de 16 mil.

Um dos motivos que ajudou foi a queda no custo dos equipamentos. Segundo o Atlas de Energia Solar, o preço caiu 90% (os “módulos” por watt instalado passaram de US$ 3,9 para US$ 0,39).

Natureza favorece o Brasil

É até uma vocação natural para o Brasil. Segundo o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro de 2001, seria possível instalar até 143,5 GW em geradores de energia eólica no país.

Para ter uma ideia do que isso representa, hoje o país é capaz de produzir (incluindo as hidrelétricas) cerca de 150,3 GW, segundo o Balanço Energético Nacional de 2017. Ou seja: seria possível praticamente dobrar esse número só com vento.

Vento rápido e constante

Nossos ventos se diferenciam não somente por sua velocidade, mas também por sua regularidade incomum. Ventos constantes aumentam o rendimento dos aerogeradores.
Essa é uma relação expressa pelo chamado “fator capacidade”, que, grosso modo, diz o percentual de tempo em que os equipamentos conseguem gerar eletricidade. Enquanto a média mundial é de 25%, no Brasil chega a 50%.

Sol a pino

Em termos de energia solar, o país também não faz feio. A edição mais recente do Atlas Brasileiro de Energia Solar informa, por exemplo, que no local menos ensolarado do Brasil é possível gerar mais eletricidade do que no ponto mais privilegiado da Alemanha –terceiro maior produtor global, atrás do Japão e da China.

Essa capacidade varia de uma região para outro do Brasil. O “filé mignon” abrange o interior do Nordeste e o norte de Minas Gerais (no mapa, é a região de cor laranja mais intensa).

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Fonte: Exame.