Ceará é referência em ensino público e exporta modelo para outros estados - Smart City Laguna
Related content
9/03/2018 Ceará é referência em ensino público e exporta modelo para outros estados

O Ceará tem um importante diferencial na educação: funcionam no Estado as 24 melhores escolas públicas do ensino fundamental, além de 77 entre as cem públicas mais bem ranqueadas do país, segundo levantamento do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Mas o que fez do Ceará um bom modelo de educação? Será que isso pode ser replicado para o restante do Brasil?

“É possível, sim, replicar esse modelo. Nosso material didático já é usado por 12 Estados, aos quais cedemos os direitos. E, desses, quatro recebem consultoria nossa de graça: Espírito Santo, Maranhão, Rio Grande do Norte e Amapá”, afirma o secretário de Educação do Ceará, Idilvan Alencar.

Para chegar a esse resultado, o Estado montou um modelo próprio, unificando todos os municípios cearenses, que adotaram material didático exclusivo. Além disso, há capacitação de professores e existem premiações por desempenho a escolas, servidores e alunos, além de os municípios com melhores notas receberem mais repasses estudantis.

Material didático e pacto de qualidade
Desde 2008, o Ceará produz material didático próprio. Foi o ano em que o Estado convocou professores e pagou bolsas para eles. Mas o que ele tem de diferente? “Usamos marcadores. Definimos assim que em fevereiro o aluno tem de saber isso, no mês de abril tem de saber aquilo. Ele é todo estruturado dentro de um determinado prazo. Assim a gente não espera que, no fim do ano, as coisas aconteçam para chorar pelo leite derramado”, informa o secretário de Educação do Ceará.

Outra virtude vista pelo gestor cearense é a união dos municípios em torno de um único projeto. Os 184 municípios assinam uma pactuação todos os anos com o Estado com foco na escola de qualidade e de modelo integrado. Ao governo do Estado cabe, por exemplo, entregar esse material didático e capacitar os professores. Para incentivar os prefeitos, o rateio do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) entre os municípios é feito com base no resultado educacional. Na prática, quanto melhor a escola na cidade, mais recursos. “Isso coloca a educação na pauta de todos”, diz Alencar.

O Estado ainda premia os estudantes. No final de 2017, por exemplo, os 20 mil melhores do terceiro ano do ensino médio receberam notebooks. Em outra ocasião, foram pagos os custos de tirar carteira de motorista para os 4.000 que tiraram melhores notas. Também são dadas bolsas aos mil primeiros alunos de baixa renda, que passam um ano recebendo meio salário mínimo.

Não se pode considerar um único método de alfabetização A professora do Departamento de Educação da UFC (Universidade Federal do Ceará), Maria Isabel Filgueiras Lima Ciasca, é especialista em história da educação do Ceará e em gestão educacional. A pesquisadora reconhece os avanços e afirma que muitas ações práticas podem ser adotadas em todo o país. Mas a difusão defende adaptações regionalizadas.

“Para você multiplicar um modelo educacional é preciso considerar as diferenças contextuais. Num país tão grande como o nosso, são muitas realidades. Não se pode considerar um único método de alfabetização. A gente trabalha sempre com mais frequência com o construtivismo, mas outros modelos também precisam ser considerados e respeitados. Não podem ser descartados como se não funcionassem”, avalia. Para ela, no Ceará houve forte investimento em séries de baixa idade.

Fonte: Uol Educação.