Canudos sustentáveis reduzem problemas no meio ambiente - Smart City Laguna
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12/09/2019

Canudos sustentáveis reduzem problemas no meio ambiente

O número de casas decimais mostra um volume exacerbado. Em apenas um ano, aproximadamente três quadrilhões de canudos plásticos seriam descartados se cada um dos 9 milhões de cearenses utilizassem uma unidade do item por dia. Quando não desprezado corretamente, eles comprometem a vida de espécies marinhas. De suporte para a ingestão de bebidas, esses utensílios tornam-se vilões do ecossistema. Porém, como forma de reduzir os impactos ambientais, empresas e clientes estão adotando alternativas de consumo consciente com o uso de canudos sustentáveis.

Feitos com matéria-prima natural ou biodegradável, eles são comercializados em variadas opções: vidro, silicone, papel, alumínio, bambu e até comestíveis, quando são produzidos a partir de amido de milho e fibras de frutas. Conforme explica a professora de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luana Viana, os canudos ecológicos atendem aos três pilares da sustentabilidade – ambiental, social e econômico.

“Considerando o lado social, quanto mais você se aproxima da economia solidária, ou seja, aquilo que é produzido na sua região, é mais sustentável do que quando é produzido na China, por exemplo, e há uma valorização da mão de obra interna. Embora sejam econômicos, os canudos retornáveis ainda têm hoje um valor muito alto, então o acesso da maioria da população ainda é dificultado. E o ambiental tem a ver com a biodegradação do canudo”.

Legislação

No último dia 11 de setembro, a Câmara Municipal de Fortaleza aprovou em discussão única o projeto de lei ordinária 366/2018, de autoria do vereador Iraguassú Filho, que dispõe sobre a proibição do fornecimento de canudos plásticos nos estabelecimentos comerciais de Fortaleza. A matéria segue agora para apreciação em redação final e depois para sanção do prefeito Roberto Cláudio.

Segundo o projeto, o consumo de plástico é uma constante preocupação dos cientistas ambientais, que buscam em suas pesquisas chamar atenção da população para os impactos que isso ocasiona no meio ambiente. “Conforme dados do World Wide Fund for Nature – ONG internacional, que atua nas áreas da conservação, investigação e recuperação ambiental – o Brasil produz mais de 11 milhões de toneladas de lixo plástico por ano, ocupando o 4º lugar de maior produtor de lixo plástico do mundo.”

Efeitos

O desuso do utensílio provoca ainda a redução de polipropileno, um derivado de petróleo presente na composição do plástico. “Isso permite que nós tenhamos um aumento da vida útil das nossas reservas de petróleo. Embora seja um item pequeno, ele é significativo nos seus efeitos”, pondera Stefanutti.

Ao mesmo tempo, o especialista aponta que outra consequência positiva da extinção desse tipo de canudo está na preservação da fauna, que é mais afetada quando o descarte do material não é feito no aterro sanitário. “A parte que não é coletada da forma correta, se perde no ambiente e é levada pela enxurrada, vai para o corpo de água e contamina o rio ou o mar. Com o item alternativo, digamos assim, as vidas marinhas não sofrem”, ressalta o professor.

Canudo alternativo

Foi pensando nos efeitos negativos causados pelo plástico que a empreendedora Clara Dourado, 32, aboliu o canudo tradicional pelo de alumínio. O estímulo inicial chegou junto ao vegetarianismo que a fez questionar hábitos de consumo. “Além do que eu colocava no meu prato, eu comecei a rever minhas escolhas e tomar decisões em relação a isso”. A troca do item foi uma delas. “Aproveito sempre o momento da água de coco ou de um suco para dizer que não é preciso trazer o canudo”, diz, a também ativista ambiental que leva sempre o objeto na bolsa.

Fonte: com informações do Diário do Nordeste