Banco Central reduz taxa Selic para 6,50% ao ano e estima reduzir ainda mais - Smart City Laguna
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22/03/2018 Banco Central reduz taxa Selic para 6,50% ao ano e estima reduzir ainda mais

O Banco Central confirmou as expectativas e cortou o juro pela 12ª vez consecutiva ontem (21/03) ao reduzir a taxa Selic de 6,75% para 6,50% – novo piso histórico. O anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom), porém, veio com uma surpresa: a indicação de que o ciclo de desaperto deve continuar. Economistas acreditam que a Selic pode cair para 6,25% em maio.

“Para a próxima reunião, o Comitê vê, neste momento, como apropriada uma flexibilização monetária moderada adicional”, cita o BC. A indicação surpreendeu economistas, já que a maioria apostava que março marcaria o fim desse ciclo de cortes que começou em outubro de 2016.

O pano de fundo para a redução adicional do juro é a inflação surpreendentemente baixa. Os membros do Copom reconheceram que, a despeito da recuperação econômica considerada “consistente”, a alta dos preços “evoluiu de forma mais benigna que o esperado nesse início de ano”.

Por isso, o Comitê reduziu a estimativa oficial para o IPCA deste ano de 4,2% para 3,8%. Para 2019, espera-se 4,1%. Com a inflação abaixo do centro da meta de 4,5% nos dois anos, o BC defende que o corte adicional “mitiga o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas”.

Apesar da sinalização assertiva do novo corte, o BC não fechou a porta para a hipótese de juro estável em maio. A confirmação de riscos poderia levar a essa decisão, diz o BC. Entre os temas mapeados, estão a chance de que a inflação baixa reduza ainda mais a trajetória futura dos preços.

Curiosamente, o Copom também menciona o risco de eventual “frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes”. O texto não cita a retirada da reforma da Previdência da pauta do Congresso, mas diz que eventual frustração “pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação”.

Após o corte de juro, até o presidente Michel Temer comemorou a decisão do BC. Pelas redes sociais, disse que “a política econômica está fazendo história”. “A taxa básica de juros é a menor já registrada, 6,5%. E graças à inflação que continua baixando”, disse.

Longe das comemorações, o crédito ao consumidor está caro. A taxa média para pessoas físicas terminou janeiro em 55,8% ao ano. Nas operações mais populares, é ainda mais alto: 328% no cartão de crédito e 325% no cheque especial.

O economista-chefe do Santander, Mauricio Molon, acredita que o juro cairá “mais uma vez” para 6,25% em maio, quando o ciclo de cortes seria encerrado. Nota, porém, que eventual “pulo” do dólar ou alta surpresa na inflação estão entre os fatores que poderiam reverter o cenário e suspender o corte. Ele não descarta a chance de cortes extras – com juro em 6% ou inferior – se a inflação continuar surpreendendo.

Fonte: O Povo/Agência Estado.