Carro elétrico está cada vez mais próximo da realidade brasileira - Smart City Laguna
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20/02/2018 Carro elétrico está cada vez mais próximo da realidade brasileira

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No início, parecia que os carros elétricos estavam muito distantes da nossa realidade. Aos poucos, foram chegando, de forma tímida e sem fazer barulho – literalmente. Agora, os carros elétricos estão entre nós, em número cada vez maior.

O Brasil está atrasado nessa corrida. Ao contrário de outros países, aqui ainda não há incentivos fiscais para a venda desse tipo de automóvel. De acordo com o diretor de Relações Públicas e Governamentais da Toyota, Ricardo Bastos, enquanto o Corolla recolhe 11% de IPI, por ter motor flexível, no híbrido Prius a alíquota é de 13%. Isso ocorre porque não há legislação específica para tributação de modelos eletrificados. O Prius traz motor elétrico e outro a gasolina.

Ainda assim, aos poucos esses carros vão ocupando espaço. A Toyota emplacou 2.405 unidades do Prius em 2017, um recorde (embora boa parte dos veículos pertença à frota da própria empresa). Nesta edição especial, mostramos o que já há nas ruas do País, e o que vem por aí. Avaliamos oito modelos, do minúsculo Renault Twizy ao esportivo BMW i8, passando pelo inovador Tesla Model S.

Conheça as particularidades dos carros em que o importante não é como o conta-giros sobe, mas sim como o marcador de nível de combustível (quando existe) demora para descer. Veja como se comportam os automóveis que estão trocando os postos de combustíveis pela tomada e o que isso deve significar em termos de preço na hora de recarregar a bateria, em vez de encher o tanque.

Ele é tão baixo (1,29 metro de altura) e tem visual tão esportivo que muita gente pode pensar que sob a carroceria de linhas agressivas do BMW i8 há, no mínimo, um Vê-oitão. Mas o híbrido alemão tem um motor elétrico de 145 cv instalado nas rodas dianteiras e um pequeno 1.5 de três cilindros turbo a gasolina de 234 cv no eixo traseiro.

Juntos, geram 379 cv, e aceleram o esportivo de 0 aos 100 km/h em 4,4 segundos. A velocidade máxima é de 250 km/h. E tudo isso com baixo consumo. Em condições controladas, o i8 é capaz de rodar até 52 km com um litro de gasolina, de acordo com a fabricante.

Não chegamos a esses números, mas rodamos muito sem abastecer o tanque de 42 litros. Apenas “completamos” a bateria, que dá autonomia de cerca de 24 km no modo elétrico (no novo i8, que deve chegar este ano, a autonomia será de 53 km). Para completar, o carro tem portas do tipo tesoura.

O Porsche Panamera 4 E-Hybrid, lançado em dezembro por R$ 529 mil, é a versão mais barata do sedã de luxo alemão, e deverá responder por 50% de suas vendas. O modelo tem um motor a combustão 2.9 V6 biturbo de 330 cv, que funciona em conjunto com outro elétrico de 136 cv. A potência combinada é de 462 cv, e o torque, de 71,4 mkgf.

As respostas ao acelerador são boas e a dirigibilidade é exemplar. Com esse conjunto, o sedã vai de 0 a 100 km/h em 4,6 segundos e chega a 278 km/h de máxima, de acordo com os dados da Porsche. A transmissão é automatizada de dupla embreagem e oito marchas. Segundo a montadora alemã, o Panamera híbrido vai a 140 km/h somente no modo elétrico. Portanto, sem gastar combustível.

O tempo de recarga das baterias varia de quatro a oito horas. O sistema fica alojado na traseira do carro, para melhor distribuição de peso. A suspensão a ar é item de série. A Porsche informa que a durabilidade das baterias é de 15 anos. Além disso, a empresa garante que a pilha não precisa, necessariamente, ser substituída inteira. Como o conjunto é formado por oito módulos, o reparo pode ser feito individualmente.

Basta dar uma volta com o Tesla Model S para entender por que uma empresa sem nenhuma tradição no ramo conseguiu se tornar referência em veículos elétricos. Mesmo sem fazer nenhum barulho, o carro chama atenção por onde passa.

Além do belo visual esportivo, ao pisar no acelerador o “S” acelera instantaneamente. Em vez de dados como potência e torque, a Tesla destaca informações como potência da bateria (70 kWh, no modelo 70D), aceleração (0 a 96 km/h em 5,2 segundos) e autonomia (cerca de 400 km a 100 km/h constantes). Entre as características, além do total silêncio a bordo, o esportivo perde velocidade rapidamente quando se tira o pé do acelerador. Isso economiza pastilhas de freio.

A experiência ao volante foi rápida – o carro avaliado foi emprestado pela importadora independente Elektra –, mas foi possível deixar o Tesla “dirigir” um pouco sozinho. Basta acionar o modo Autopilot, de direção autônoma.

A tração é integral, o porta-malas é espaçoso e praticamente todas as funções são controladas por meio da enorme tela central de 17 polegadas, o que inclui até abertura do teto solar. A unidade avaliada é da linha 2016 e custa R$ 650 mil.

Ao volante do Renault Twizy, a impressão é de que você nunca está sozinho. Quando o semáforo fecha, é certo que alguém vai perguntar se é elétrico, quanto custa, qual a autonomia… Dai é só repetir as respostas de forma padrão: “Sim, é elétrico, autonomia de uns 60 km, máxima de 80 km/h, não está à venda no Brasil.”

Poucos carros chamam tanta atenção como esse quadriciclo com capota. Além de atrair a curiosidade pelo tamanho, o Twizy conquista pela simpatia. A bordo do Renault, não se sente aquela hostilidade cotidiana entre motoristas. Em vez disso, como não há janelas, todos concluem que o motorista está disponível para conversas.

Fora o fato de que você passa calor no verão, frio no inverno e se molha na chuva, o Twizy é ótimo. Além de ser ágil, o carrinho para em qualquer lugar. A direção do Renault também é muito sensível e ele chacoalha bastante sobre piso irregular.

As portas abrem-se para cima e há mais espaço para o motorista do que no Fiat Mobi ou no Renault Kwid, por exemplo. Se fosse vendido aqui, a estima-se de preço é de uns R$ 100 mil.

Fonte: Engenharia É.